 |
|
|
| 11/05/2007 |
Sou mãe ainda
Sou mãe ferida,
mãe enlutada,
mãe sem vida,
mãe magoada,
sou mãe sem entranhas,
mãe assombrada,
sou mãe sem nada,
mas sou mãe ainda.
Sou mãe de braços vazios,
de coração apertado,
mãe de nervos distendidos,
mãe de músculos prensados,
sou mãe sem seu filho,
sou mãe só do passado,
sou mãe gemida,
mãe infartada,
mas sou mãe ainda.
Sou mãe da doçura,
mãe da fragilidade,
sou mãe da fortuna,
mãe da imortalidade,
sou mãe de uma estrela,
mãe de uma luz,
sou mãe da eternidade.
Sou mãe do futuro,
mãe de uma história,
sou mãe da paz,
mãe da alegria,
sou mãe da luz divina,
mãe da minha Vitoria,
sou mãe da saudade,
mãe da circunstância,
Sou mãe só de lembranças, mas sou mãe ainda.
Escrito por maedavivica às 19h15
[]
[envie esta mensagem]
|
| 10/05/2007 |
Ninguém
É muito, muito difícil não ter ninguém pra compartilhar a vida, dividir o espaço; não ter ninguém pra almoçar ou jantar com a gente; pra fazer um passeio ou ler uma revista; alguém pra ver televisão com a gente ou ficar calado ao nosso lado.
Não ter ninguém pra ouvir uma música, comentar uma notícia, pra discutir, trocar idéias ou até brigar. É muito dolorido não ter ninguém que nos dê motivos pra acordar, que justifique nossa vida. Não ter ninguém machuca, fere muito, principalmnte quando essa solidão vem da perda de um filho.
Faz muita falta um sorriso, um abraço; alguém que nos faça um cafézinho, que nos traga um pão; que cosse as nossas costas; alguém que lhe pergunte se está tudo bem, que lhe compre um remédio quando você está doente, que lhe traga um chá ou lhe faça um carinho. Alguém que lhe diga bom dia e ilumine sua vida.
Viver nessa solidão de palavras, de gestos; viver nessa escassez de necessidades é viver à toa, viver sem função; é viver querendo morrer, quando tanta gente quer viver. Viver assim é envelhecer em vão, é sofrer sem razão, é desviver.
Escrito por maedavivica às 08h45
[]
[envie esta mensagem]
|
| 08/05/2007 |
Fico olhando a tela do computador, tenho muitos pensamentos e poucas vontades. Começo a lembrar do quanto você gostava dele e as lembranças veem.
Destravo o coração de qualquer bloqueio e sinto sua presença. Fico olhando pra você, mas você não me percebe, está distraída conversando com alguém.
Imagino seus segredinhos com amigos, planos que faziam; posso visualizar a tela, seus dedos digitando. Advinho seu sorriso. Eu sinto paz.
Tudo era tão certo na nossa vida, tudo simples e perfeito. O fato de estar, o fato de ser, era o bastante. Como foi acontecer?
Hoje, sentada nesse cantinho tão seu, fico pensando se você também me vê, distraída, escrevendo sobre nossos dias; chorando.
Ás vêzes tenho sensações de sua presença, um andar pela casa naturalmente, um sorrir despreocupada, bem à vontade. Meu deus, que saudade.
Escrito por maedavivica às 08h23
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
|