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| 28/07/2007 |

Escrito por maedavivica às 11h01
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Arvore da vida
Numa conversa com minha irmã e sobrinho, eu consegui definir um sentimento. É mais ou menos assim: se você tira de uma árvore uma folha, ela sente; se você quebra um de seus galhos ela sofre, mas se você lhe arranca a raiz ela morre.
Minha filha era a raiz de minha vida, o caule que me sustentava, o tronco que me mantinha de pé; ela era as folhas mais verdes, as flores mais bonitas; uma copa gigante que me cobria como um manto de vida.
Minha arvore, que não teve tempo de dar frutos, deixou um vazio enorme no futuro. Minha família toda acabou, sem marido, sem filhos, sem genros, sem netos. Por isso eu me sinto como folha solta no ar; não encontro lugar de pouso, não tenho chão.
Folha solta não renasce, não dá frutos; folha solta não faz sombra e é por isso que eu me sinto ninguém. O tempo só vai me amarelando, enrugando, desfazendo.
Vou pra onde vai o vento, empurrada, levada de um canto pro outro. Quero, mais do que tudo, que um vendaval de luz me carregue pra bem longe, que me agregue à antiga arvore a qual eu pertenço. Você, minha filha, é a arvore da minha vida.
Escrito por maedavivica às 10h11
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| 27/07/2007 |
Dar um tempo... é exatamente isso que venho fazendo, mas não tenho noção do que isso significa; não vejo motivos nas minhas reações e tudo que eu fazia automaticamente, hoje tem que ser pensado; fico parada até que a ordem venha: acordar! abrir os olhos! levantar!
Num corpo burro, o cérebro dá ordens desnecessárias. Acordar! E eu me pergunto: Pra que? Não encontrei em mim nada pelo qual pudesse lutar. Não sou, não tenho, não me identifico.
Não é só a dor insuportável de perder um filho, é lidar com o que ficou; isso me leva a pensar no pouco que fui ou no quase nada que restou. Já não consigo me lembrar de como eu era, não tenho como retomar a antiga vida e continuar daqui pra frente... é miserável !
Não encontro outra palavra pra definir: Miserável! Miseravelmente dolorida! Renascer na minha idade e tendo conhecido minha filha... é inviável !
Cérebro desconhecido, dá um tempo ! Dá um tempo ao corpo cansado; dá um tempo pra reações dormentes ! Dá um tempo cérebro vivo e desalmado; me deixa repousar tranqüilamente.
Escrito por maedavivica às 10h47
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Mais um texto lindo recebido de uma amiga do "dordemãe":
Ao Tempo o Tempo. ( Silvia Schmidt )
Se o teu lugar agora parece-te frio e sem atrativos, se não há ninguém agora que te inspire a falar ou a ouvir, se o vento lá fora parece não soprar a teu favor, se nenhuma palavra consegue agora tocar o teu coração, se não sentes vontade de nada, se queres simplesmente fazer nada, se as coisas da Terra parecem-te opacas e sem graça, se as coisas do Céu agora parecem-te mentiras, histórias inventadas, se teu corpo não quer exercícios, não quer esforços, só quer espreguiçar-se, se agora nada desperta a tua vontade de crescer, de ir adiante, de abraçar aventuras, desafios, novas metas, sonhos ... se para tuas perguntas não chegam respostas, se olhas o relógio como a um inimigo cobrador,
DÁ UM TEMPO ...
O mar não espera pelo rio, no entanto o rio chega. As árvores não anseiam por novas folhas, no entanto elas brotam. As flores não imploram por chuvas, mas as chuvas - cedo ou tarde - caem. Os pássaros não se preocupam com o céu, entretanto o céu lá está. O dia não guarda ansiedade pelo descanso da noite e ainda assim ela chega. A noite não se abala com a própria escuridão, repousando na certeza de que o dia virá. A semente precisa do escuro da terra para abrir-se à luz na hora mais acertada. Deus não apressa as sementes: Ele as conhece e respeita-lhes o tempo. Se neste momento és semente, sossega, respeita-te ... e dá um tempo.
Escrito por maedavivica às 10h15
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| 25/07/2007 |
Aceitar a morte da minha filha eu não vou aceitar nunca, mas estou procurando, pelo menos, tentar entender. O que esse tempo me ensinou? Tenho procurado ver além do olhar humano pra tentar desvendar esse mistério, até onde ele pode ser revelado.
Por trás de paredes invisíveis está uma realidade a qual não tenho acesso e é lá que estou procurando chegar. É possível que encontre ali respostas pra perguntas que nem sequer eu tenha feito; talvez essa realidade incompreensível me cegue ou me enlouqueça, não sei...
Sei que a partir de agora vou tentar encontrá-la, vou buscá-la até onde minha alma, ainda humana, puder chegar. Vou buscar nas trevas da ignorância o semblante da minha filha. Sei que agora estou preparada pra, pelo menos, tentar, não com experiências alheias, retiradas de livros, mas com a intuição de uma mãe.
Por que, seu eu viver mais três dias, estarei três dias mais próxima da verdade. A que isso me leva? Não sei... no mínimo mais próxima de minha filha. Se puder, deixarei registradas essas experiências, pra que talvez, sirva de um primeiro passo pra alguém.
Escrito por maedavivica às 09h35
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| 22/07/2007 |
Hoje, penso em tudo que aconteceu e me ressinto da vida. O peso da tragédia não diminui com o tempo, sou sempre assaltada por um pavor de que aconteça novamente, porque vivo com as lembranças do fim e assim minha filha morre todos os dias.
Não há como esquecer aquela cena horrível, por mais que eu tente, ela volta e me assombra; os últimos momentos de vida, o último respirar agonizante. Minha filhinha estava indo embora e eu continuava somente humana.
Nem católica, nem espírita, nem santa ou milagreira, apenas uma mãe comum que perdia sua única filha. Num mundo que sempre valorizou super heróis, as mães deveriam ter poderes, mas quando se rompe o cordão umbilical, eles estão por conta própria.
Quando eu penso que, como espírita, consegui ajudar algumas poucas pessoas, lembro que não previ, não adivinhei, não consegui salvar minha filha, assim como não consigo prever meu fim.
Vou morrendo aos poucos, cada segundo do meu dia; vou perdendo o ar dos pulmões, as funções orgânicas, a temperatura do corpo, num morrer lentamente, o quanto essa agonia vai demorar ninguém sabe porque ninguém tem nas mãos o controle da própria vida.
Escrito por maedavivica às 09h27
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