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| 04/08/2007 |
O pão que o diabo amassou
A sensação de nunca mais nos atormenta o tempo todo; o coração de mãe anseia e precisa acreditar no depois, mas a verdade é que, aqui, do nosso jeito, como era, nunca mais.
Ninguém mais vai ocupar aquele espaço, aquela cama, aquele quarto, todos os pertences, particularidades da nossa ligação de mãe de filho; tudo o que existe ou acontece, nos lembra nossos filhos e nos fazem pensar que eles já não estão mais aqui.
É aí que o diabo pega o pão.
Bobagens... musica, cinema, teatro, compras, viagens, doces, cds, vídeos games, futebol, escola, emprego, festas, reunião de amigos, família, som de risos...Tudo a que nossos filhos tinham direito. Outra vida? O que importa! Vivemos o agora, o aqui, e aqui, nossos filhos nos faltam como nos falta o ar.
É aí que o diabo amassa o pão.
O que nos resta é uma saudade que não tem fim; o amor que fica sufocado no peito; o pesar na alma; o desespero que não tem como se extravasar; a inconformidade que nos leva, muitas vezes, a imaginar que nada aconteceu; vivemos a beira de um abismo monstruoso, a um passo da insanidade. Dor, luta, mágoa, solidão, angústia.
É aí que o diabo cospe o pão na nossa cara e é com isso que nós temos que viver.
Escrito por maedavivica às 09h09
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| 01/08/2007 |
Mistulinhas
Era assim que você tomava refrigerantes, “mistulava” coca- cola, fanta laranja e guaraná; quando não, você queria fanta uva; eu dizia que você era o único ser humano que gostava fanta uva.
Em pleno verão você quis comer morangos e, lá foi seu pai pra Atibaia buscar algumas caixas. De outra vez, você queria “Ito” e nós te levamos a supermercados, feiras e até shoppings para poder descobrir o que você queria, mas foi no clube que acabamos por descobrir o que era: “Ito” você apontava com o dedinho para um enorme algodão doce.
Seus avós lhe proporcionavam tudo que o amor e o dinheiro pudessem comprar; satisfaziam todas as suas vontades. Mimo de seus tios e primos nunca lhe faltou; cada um de nós procurou sempre lhe agradar; na medida do possível, tentamos lhe dar pequenos prazeres, porque você sempre fez por merecer. Não era um sacrifício pra nós, era um prazer lhe dar alegria.
Ver seu sorriso, seus olhinhos brilhando, já valia a pena; nem por um segundo imaginamos que seria por tão pouco tempo; fazíamos por que a amávamos e, nessa “mistulinha” de amor e carinho entre nós todos, nessa amizade e cumplicidade, companheirismo e afeto, construímos nossas lembranças. Se hoje, são só lembranças o que temos, elas são muitas e são boas, porque soubemos viver nosso tempo.
Escrito por maedavivica às 19h13
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| 31/07/2007 |
Filha querida
Quero muito que você saiba o quanto valeu sua vida; fico aqui reclamando sua ausência e me esqueço de agradecer sua presença, mas não é bem assim, embora não pareça, eu agradeço todos os dias o fato de você ter sido minha; você foi minha filha querida, minha melhor amiga, a companheira maravilhosa que todo mundo quer ter.
Reclamar sua ausência é coisa de mãe saudosa e, esse direito que a vida lhe tirou, me emp....não é fácil continuar sem você; o que tornava a jornada fácil era sua companhia, seu humor, seu jeito doce. Era tão gostoso ser feliz ! E é disso que eu sinto falta também, simplesmente ser feliz.
Tive a sorte e a alegria de ter prestado atenção a cada segundo da sua vida, não foi em vão que te percebi o tempo todo; te amei cada segundo, não perdi tempo, te amei de maneira imensa, totalmente e se o amor transcende ao tempo e espaço, esteja onde estiver, poderá senti-lo.
Se daí do céu você vir um coração batendo como louco, tenha certeza que sou eu te amando ainda.
Escrito por maedavivica às 19h11
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