O pau da barraca
Normalmente eu sinto uma tristeza muda; daquela que faz a gente perder a voz e abaixar a cabeça, não é aceitação, é só profunda tristeza, mas hoje eu estou revoltada e, quando me sinto assim não gosto de escrever, porque desço ao mais baixo nível pra ver se me igualo à dor que estou sentindo.
Ofender, xingar, falar palavrões, já não adianta nada e faz com que eu me sinta pior ainda; é que, às vezes, eu preciso chutar o pau da barraca; preciso culpar alguém ou alguma coisa, preciso desacreditar da fé, ofender o mundo, preciso me revoltar e por pra fora essa saudade.
Preciso entender, mas não consigo; preciso aceitar, mas não posso; preciso saber o porque...
Tenho mesmo vontade de chutar o balde; de deixar que tudo se dane e apodreça; o que me importam as contas vencidas, o que me interessa a sujeira da casa; o resto do mundo.
Queria poder fechar os olhos, tapar os ouvidos e permanecer ainda mais calada.
Ai ! como ficou pequena a vida; como tudo ficou sem importância.
A gente às vezes tem vontade de ser
Um rio cheio pra poder transbordar
Uma explosão capaz de tudo romper
Um vendaval capaz de tudo arrasar
Mas outras vezes tem vontade de ter
Um canto escuro onde poder se ocultar
Um labirinto onde poder se perder
E onde poder fazer o tempo parar.
Vinicius de Morais
Escrito por maedavivica às 06h53
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