Acabou a festa da vida.
Sinto como se tivesse ficado pra recolher copos sujos, pratos, garrafas vazias, limpar o chão... sobraram migalhas que eu tenho que varrer. Na memória ficou aquela multidão de gestos, sorrisos e fisionomias. Ficou o sabor do doce, do bolo, do papel de presente. São pedaços; trechos de uma vida que se embaralham nas lembranças.
Cada papel recolhido tem uma história contada com amor e alegria; em cada cadeira um amigo, alguém que te amou; na mesa, a toalha ficou manchada de um vermelho vivo; ainda ouço os risos, conversas animadas; são como fotos de uma alma que não se esquece de lembrar; nossa única dor foi sua ausência muito antes de acabar a festa.
Tenho de ficar aqui, estou cansada de faxinar a vida, mas tenho que ficar pra remendar lembranças; quero que tudo brilhe como brilhou sua presença; quero que tudo esteja arrumado e limpo como foi sua vida; quero que tudo esteja em seu lugar quando eu apagar a luz e fechar essa porta.
Escrito por maedavivica às 14h44
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