Eu, dentro da concha,
como ostra sem memória,
e muito embora, cheia de lembranças,
estou vazia de razão e consciência.
Estou tão lotada de dor,
que mudo a cor da minha aparência;
sou cinza onde o azul imperava.
Perdi o formato, fui me desfigurando,
enquanto até o branco desbotava.
Você, minha única perola,
tão delicadamente cultivada,
tinha a beleza fragilizada,
de um anjo de cristal na terra.
Dorme agora seu sono de veludo;
seu berço é aura prateada.
Envolta em mantos translúcidos;
Repousa, minha filhinha amada.
Se eu te soubesse assim tão delicada,
não perola, mas concha você seria;
talvez nem tão bonita, mas fortalecida;
calcificada na dureza da vida.
Viva!
Escrito por maedavivica às 07h05
[]
[envie esta mensagem]
|