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| 08/09/2007 |
Angustia infinita
Eu estou sentindo uma ansiedade que não sei o que é; quero alguma coisa, uma pressa, um desejo de sair, de buscar, de recomeçar, mas o que ?
Uma angustia de rodar como pião em volta de mim mesma. Como explicar o que não sei nem definir... é ter que lidar com todas as horas do dia; ter que passar pelas longas noites.
É saber que à frente nada existe; nunca mais nada vai acontecer. É suportar a dor no peito, que muitas vezes parece que vai me levar; é falar sozinha, ouvir as próprias opiniões.
É não ter novidades, ser sempre o mesmo assunto; é sofrer de uma solidão tão infinita, uma dor tão monstruosa, sem poder reivindicar nada.
É querer voltar no tempo, reinventar a vida; é buscar uma realidade diferente, um motivo novo. É querer sair de dentro de si mesma, sem perspectiva alguma.
É não poder nem sequer expressar o que sente realmente; conseguir colocar em palavras ou letras; definir de alguma forma. É enlouquecer devagarzinho.
Essa angustia infinita que acompanha meus dias, que se alonga comigo enquanto vivo. É sentir sem sentir, saber sem saber, viver sem viver.
Escrito por maedavivica às 09h28
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| 06/09/2007 |
Eu estava falando da falta de energia; da desestrutura emocional pra agüentar qualquer outra coisa. O desejo de tapar os ouvidos pra qualquer preocupação. Me afastei dos noticiários, não consigo mais ouvir problemas; não é falta de amor pelo próximo, é esgotamento.
Do: até já, minha filha ! ao enterro dela, todo meu amor como mãe, toda a minha alegria como ser humano e toda minha energia como ser espiritual, foram sugados pra debaixo da terra. Literalmente esvaziei.
Vejo com os olhos vazios e distantes todos os problemas terrenos, porque já não consigo levantar um dedo pra ajudar alguém. Me arrebento em mil pedaços quando, por exemplo, alguém da minha família está doente e, a cada dia, fica mais difícil juntar os cacos.
Já não consigo me reestruturar tão facilmente, desabo num choro convulsivo, ignorado; um choro que eu só choro em casa, longe de outros olhos tão sofridos.
O pavio está terminando, as ultimas chamas dessa vela estão se apagando; tudo que eu tiver que viver ainda, pra castigo meu, será de forma longínqua, distante; é como se o final deste filme fosse em câmera lenta; um filme preto e branco, antigo, desgastado pelo tempo.
Escrito por maedavivica às 07h19
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| 04/09/2007 |
Não aguento mais ser essa rocha que eu pensava ser; descobri que a tristeza é como uma onda gigante que vai subindo, subindo e desaba numa depressão enorme.
Pensar que a vida foi só isso, desperdiçada com a estupidez de uma morte prematura, que tantos planos, tantos sonhos acabaram em nada!
Como eu queria que ela estivesse aqui... quanta coisa ainda tínhamos pra fazer juntas; eu tinha tanta coisa pra contar pra ela... em tudo, absolutamente tudo, e o tempo todo penso na Vi, o que ela diria, se iria gostar, como reagiria...
Tô tão cansada de dizer que estou cansada, estou tão triste de dizer que estou triste, queria poder dividir alegrias, mas a cada dia penso mais em minha filha, sinto mais a sua falta e mais vou me revoltando. Ainda sinto como se não soubesse direito o que aconteceu; uma sensação estranha de não entender.
Ninguém nos ensina como sofrer, ninguém nos prepara pra tanta dor; nada foi simulado, adiantado ou previnido, então, onde buscar parâmetros, receitas ou manuais; ninguém, por mais que fale a respeito, diz nada.
Com o tempo vou esvaziando como balão. A falta de energia vem me acabando e abrindo buracos na minha aura, por onde entra todo tipo de doenças e dores. Eu sei que estou deteriorando, mas de uma maneira muito lenta e dolorida.
Escrito por maedavivica às 08h14
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