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| 13/09/2007 |
Só por isso
Quem me vê chorar assim baixinho, não sabe a dor que sinto; não entende que, por ser tão grande, sufoca o grito e talvez por isso, só por isso, eu tenha que chorar baixinho.
Quem vê meu corpo em pé, andando solitário, não sabe o quanto ele está deitado; não entende que, por estar tão cansado, segue sozinho e talvez por isso, só por isso, eu tenha que andar devagarinho.
Quem vê nos meus lábios um sorriso, não sabe o quanto ele está amargurado, não entende que, por estar tão descontrolado, expande o riso e talvez por isso, só por isso, eu tenha que sorrir um pouquinho.
Quem me vê seguir vivendo, não sabe o quanto eu já não vivo; não entende que meu coração, por estar tão desesperado, bate descompassado e talvez por isso, só por isso, eu tenha que viver partindo.
Escrito por maedavivica às 08h27
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| 12/09/2007 |
Setembro é o mês do meu aniversário. Eu nunca quis ter quinze anos quando tinha doze; nunca quis ter dezoito quando tinha dezesseis; também nunca quis parecer mais jovem quando comecei a envelhecer.
Cada ano foi vivido da maneira que tinha que ser.
Não desejei ser mais bonita, mais inteligente, não quis ser rica, nunca pretendi ser outra pessoa e portanto, nunca invejei ninguém.
De qualquer forma, minha vida sempre foi regada a sabores e cheiros: Pitanga me lembra a infância, no atelier de meu avô; bolo no forno, lembra a casa dos meus pais; diversos perfumes, lembram minhas irmãs. Hoje, minhas lembranças pertencem a minha filha.
Acordei lembrando que, por qualquer razão, ela dizia que ia me dar de presente uma “cafedeira”. Não sei por que ela tinha cismado com uma cafeteira, talvez pelo barulhinho que ela ouvia na casa da avó, talvez pelo cheiro do café sendo coado.
Tenho que confessar que me esqueci da maior parte dos presentes que ela me deu ao longo da vida, mas não da “cafedeira” ; lembro de todos os cartões e bilhetinhos que ela me escreveu.
Minha mãezinha querida... Mãezinha do coração. Te adorarei toda vida, Com grande devoção...
Escrito por maedavivica às 07h54
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| 11/09/2007 |
Filhinha
Se houver mesmo uma outra vida, aonde você estiver interceda à meu favor, converse com deus, diga-lhe que sua mãezinha já não aguenta, que o castigo imposto foi grande demais.
Eu sei que estou lhe pedindo algo que, talvez, você nem possa fazer, mas tente, tente dizer a ele que já foi o bastante, negocie um novo acôrdo; eu faço qualquer coisa pra estar com você.
Diga que essa experiência terrena é a mais forte e dolorida que existe, o maior de todos os castigos; que mãe só é mãe por que ama e nenhum outro sentimento ou ligação é mais forte; não se separa mãe e filhos.
Diga a deus, como recado meu, que isso depõe contra ele; arranha sua imagem, filho é pra ser amado, pra fazer parte de nossas vidas e estar sempre ao nosso lado; porque tirá-los de nós? Que motivos ele teria que sejam mais fortes que o amor de mãe?
Por que deixar na terra zumbis desalmados; mães sem seus filhos são deformações que sobrevivem. Por fim, diga a ele, se ele tiver um tempinho, que me acompanhe até seu jazigo, quero que ele veja, que ele sinta e me diga se existe maior tristeza.
Escrito por maedavivica às 08h39
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