Eu preciso dividir bem os meus dias com as poucas coisas que tenho pra fazer. Muito cedo e, pra não fazer barulho, eu ligo o computador; leio as mensagens do grupo de mães, escrevo algumas e mais nada... então, jogo free cell, e aí eu me lembro de uma das minhas irmãs.
Quando ela me disse que já havia completado todas as centenas de combinações desse jogo, é que eu entendi que a solidão tem diversas formas. Chorei muito pensando que, por estar tão feliz com minha filha, com a minha vida, não participei da dela.
Na verdade não participei muito da vida de ninguém, além da minha filha. Meu irmão morou quase vinte anos longe daqui, tem passado por maus momentos, nada tão grave, mas sei o quanto ele precisou de um apoio. Minha irmã mais nova, viveu muitos anos sozinha, lutou muito, enfrentou seus próprios demônios, trabalhou e criou o filho sozinha.
Penso que eles passaram por problemas, inseguranças, medos e eu, feliz... o quanto a gente se importa quando está feliz? quantos telefonas ou visitas eu deixei de fazer? quantas vezes eu não estive lá?
Hoje, sem nada, é a minha dor que me faz egoísta; a falta de felicidade não tem me ensinado muita coisa; sem animo pra conversar ou sair de casa, mais distante eu fico deles.
É nessa hora que eu reúno o que me sobrou de forças e vou em frente, tomo banho, me arrumo e vou visitar meus pais; recebo em casa meus irmãos e procuro ouvir o que eles tem a dizer. Muitas vezes tenho vontade de me deitar, mas sei que eles estão ali por mim, pra me ajudar. É pouco o que posso fazer por eles, mas ouvir muitas vezes é melhor do que falar.
Escrito por maedavivica às 07h52
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Que pesadelo horrivel,
que sensação mais forte;
pulei da cama,
abri os olhos,
que susto...
pensei que era a morte.
Tive a nitida impressão
que de mansinho,
aquela cama ela rondava
e, com as garras
e dentes afiados,
vinha levar meu anjinho.
E, com que horror nos olhos
eu vislumbrava a morte;
me agarrava a ela,
lhe arranhava a cara,
lhe cravava os dentes
e a mandava embora.
Que susto...
E se não fosse pesadelo...
Já estava decidida...
eu tambem iria embora.
Me atirava em seus braços,
me agarrava a suas pernas
e abandonava a vida;
partiria junto a minha filha.
Se não fosse só um pesadelo...
teria morrido naquela hora.
Escrito por maedavivica às 10h46
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Saudade,
é meu estomago que não vomita a dor mal digerida;
esse pedaço de fibra mal mastigada,
que fica ruminando como vaca no curral.
Saudade,
é meu peito ardendo nessa chama mal dirigida;
essa fogueira de vida mal apagada,
que se espalha como centelha no milharal.
Escrito por maedavivica às 08h01
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