Tem uma musica do Djavan que diz:
- Só eu sei o que é não ter e ter que ter pra dar.
Penso nisso quando um irmão vem me visitar ou quando vou à casa de meus pais. O desejo de permanecer deitada está em mim, assim como o espaço vazio ao meu lado. Me esforço pra participar, estar presente, mas são meus últimos esforços, mais, eu não consigo.
Admiro mães sobreviventes; eu não, eu não me recupero. O tempo não alivia essa dor; mente quem diz que melhora.
Sinto que todas as mãos tentam me erguer, vejo nos olhos da minha família a vontade de me dizer: tenha forças! mas eles sabem que não vai passar, não dessa vez.
Sem nada pra dizer, tentam me abraçar, me acarinhar de alguma forma, mas muitas vezes eu nem estou presente; pra algum lugar distante vai minha alma; sinto que já não faço parte dessa realidade.
Recebo o abraço, o beijo carinhoso como se fosse em outra vida. Gosto de saber que eles estão superando dificuldades, mas não sei se chego a ficar feliz. Esse sentimento morreu em mim.
Confesso que já não me realizo na realização dos outros; quero a felicidade deles, mas sem a minha participação. Em tudo que eu penso ou faço está o inferno desta vida e, talvez por isso eu prefira passar por ele sozinha.
Escrito por maedavivica às 09h09
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