São 6.00 horas da manhã e o sol já está entrando pela janela, atravessa a fina cortina e ilumina a sala. O ventilador ainda está ligado; sei que vai ser um daqueles longos dias.
Já começou com um cinzeiro lotado caindo no chão; não tenho mais vontade de limpar nada, coloco um pano em cima e deixo pra lá, mas o que fazer? mais tarde vou ter que limpar...
Também isso dói, querer ficar simplesmente deprimida e não poder porque o cinzeiro cai; querendo ou não tenho que ir ao banheiro; mesmo sem vontade, a fome aparece; se não tenho nada em casa, preciso sair pra comprar, então, por que não limpar o chão?
Acho que é o preço de querer morar sozinha, talvez nem devesse, mas precisava do meu campo neutro. Depois que, de qualquer maneira e por qualquer razão, decide viver, todas as outras decisões foram automáticas.
Queria não ter saído daquela cama...em que eu estava pensando? O que eu esperava? Nunca vou entender porque tomei essa decisão e estou pagando por isso de maneira muito dura.
Pensar na morte, dia e noite, não resolve nada, mas eu não consigo sair desse furacão; tento, tento, mas é mais forte que eu. Só quero ficar deitada, talvez alguém me telefone, talvez alguém apareça, quem sabe um outro cinzeiro caia.
Escrito por maedavivica às 09h06
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O som da solidão
De madrugada, quando tudo está mais calmo e lento, minha solidão aumenta.
Enquanto escrevo, ouço minha voz, distante, como se ela tivesse sido gravada há muito tempo; um som que nem existe, por que é como se eu narrasse uma história, cada vez mais triste.
Já está claro, quando apago a luz do meu quarto; é dia. Outros sons invadem meus pensamentos abafando os sons do meu próprio silêncio.
Quando abro a janela, tudo vai embora, é uma outra solidão que me espera.
A solidão da vida lá fora, que tem seus próprios sons. Som do riso esquecido, a solidão das memórias.
Finjo ter esquecido o som da sua voz, mas ela está impregnada em mim, como o som dos sós.
Soa distante na imaginação o som do passado, o som dos desesperados, que é o som da solidão.
Escrito por maedavivica às 11h22
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