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| 02/11/2007 |
Finados
Grito um grito suado,
um grito molhado,
um gemido oco.
Grito um grito mudo;
quem ouve, só ouve sussurros.
Grito por dentro,
um grito de saudade,
um grito contido.
Grito com toda vontade;
pra quem escuta, parece um gemido.
Mas é meu grito,
o mais gritado, o mais sofrido,
é um grito calado
de quem grita a dor mais forte
de quem conheceu a morte
de um filho tão amado.
É meu grito, nem sussurro nem gemido.
Escrito por maedavivica às 09h08
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| 31/10/2007 |
Eu acredito sim, em algo superior, mas tão superior que é inimaginável; tão inimaginável que chamamos de “espíritos” e nossa emoção humana, na tentativa de nos aproximarmos, chamamos de nossos; os assemelhamos a nós e a nossa mortalidade quando permitimos que se apresentem com seus nomes e formas, com lembranças do “nosso passado”.
Seria tão mais fácil acreditar que minha filha existe, feliz, ao lado de tantos outros que viveram por aqui, mas se ela existe, já não é minha filha, aglomerou-se ao todo.
O deus que eu busco está além de mim, não se encontra em igrejas ou seitas, não se encontra no próximo; não é o bem que fazemos, pois que isso, é uma condição humana de ser bom e generoso; não são as orações que fazemos, pois elas são feitas para uma necessidade também humana.
Se imaginássemos a grandeza, não precisaríamos da fé.
Como viver com o desconhecido, sem lhe dar um nome ou posição? Como não criá-lo e catalogá-lo em livros, para que fique registrado? Amamos uma figura que existe em nós; que nossa necessidade criou; se formos além disso estaríamos tentando chegar ao inatingível, buscando o inimaginável.
Escrito por maedavivica às 07h27
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| 29/10/2007 |
Não sei se estou preparada pra falar sobre isso, acho que nunca estarei, mas não importa, nada mais importa. Não cheguei ao fundo do poço, já estava lá, só procurei a porta de saída. Foi a noite mais solitária da minha vida.
Senti um frio que cobertor nenhum aquece, que banho quente não resolve; o frio da falta, da ausência, daquele espaço vazio que está sempre ao meu lado. Nunca senti tanta falta da minha filha.
Achei que tinha passado do meu limite, que poderia então decidir como e quando ir embora, mas sobreviver à própria morte só me trouxe o desconforto da vida. E agora?
Ninguém passa pela morte de um filho sem sangrar por inteiro, talvez eu ainda tenha sangue nas veias, talvez tenha mesmo uma missão a cumprir, talvez a quantidade não tenha sido suficiente.
Fiquei com menos do que tinha, me falta respeito por mim mesma e estou mais perdida do que estava antes. E agora?
Escrito por maedavivica às 08h26
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