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| 08/11/2007 |
Filhinha querida
Nada ou ninguém vai nos separar, nunca. Tenho certeza que se for o momento e, quando isso acontecer, receberei de você as palavras que queira me dizer.
Sentirei o som de sua voz junto ao meu ouvido, assim como sinto o bater do teu coração junto ao meu; não será preciso nenhum intermediário para dizer o que já sentimos.
Amo você e você me ama como sempre.
A distância entre nós não é tão gigantesca como pode parecer; se eu a vejo, se eu a sinto, certamente você me vê e me sente também.
Entre a vida e a morte existe apenas uma névoa, fina e passageira. Crueldades e insensibilidades nós deixaremos para trás, não hão de nos afetar ou entristecer.
Tenho certeza que você não levou pra esta nova vida, nem dor, nem sofrimento, porque você foi só doçura e alegria.
Quem neste mundo pode dizer diferente? Quem tem o direito de saber mais de você do que eu?
Escrito por maedavivica às 20h19
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Eu já sabia
È verdade... a vida ainda fere de diversas maneiras.
Fiquei sem minha única filha e me cobram uma lucidez que eu não posso ter e uma espiritualidade que eu não consigo sentir.
Não recebi a tão esperada mensagem da minha filha, ao contrário disso, saímos, eu e minha mãe, arrasadas de lá.
A insensibilidade desta “médium” foi absurda, enquanto descrevia todo o sofrimento pelo qual minha filha passou depois da morte.
Dizia ela, em tom de sabedoria, que minha filha sofreu dores horríveis, que ficou cega e passou por duas operações espirituais, onde seu crânio foi aberto de um lado à outro para que o aneurisma fosse retirado.
Que mãe quer ouvir isso...
Disse ainda, a “iluminada”, que minha filha passou dez meses em um hospital e ainda hoje só tem memórias infantis, por isso não pode me enviar nenhuma mensagem, como se de criança, ela não tivesse tido mãe.
Dizendo que “mentores” lhe passavam essas informações, mas que não podiam dizer, sequer, duas palavras que me convencessem tratar-se de minha filha.
A irresponsabilidade desta pessoa só não foi maior que a minha raiva, o meu espanto; a minha vontade de dizer a ela que o inferno a espera, não lá, mas aqui.
E ainda cobra caro a filha da...............
Escrito por maedavivica às 17h49
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| 07/11/2007 |
O que dizer?
Pensei: em que mais a vida pode me ferir?
Mas não é assim, a vida ainda fere de diversas maneiras.
Amanhã vou “tentar” receber uma mensagem da minha filha e a ansiedade que isso está me causando, me faz pensar se vale a pena. Será que ela está ansiosa também?
Com o que voltarei pra casa? Como ela retomará seu caminho? E se ela não for a esse encontro? E se for pra ela não ir a esse encontro? E se nada existir?
Se já não chega a dor tão profunda, se já não basta a saudade tão imensa, porque buscar esperanças numa distancia infinita?
O que vai mudar em minha vida, senão esperar com maior ansiedade minha partida, o que vai mudar pra ela, senão esperar pela minha chegada?
Nós duas, como éramos, nunca mais. Se nos encontrarmos finalmente um dia, quem seremos, depois de tanto sofrimento?
Já me disseram que ela sofre por me ver sofrer, que chora por me ver chorar, então, o que dizer? Devo, enfim buscar essa proximidade que, no momento, talvez não faça bem pra nenhuma das duas?
Se amanhã eu tiver certeza de que é minha filha que está ali falando comigo e perceber que ela está chorando, o que fazer se eu não puder pegá-la no colo, apertá-la em meus braços e amenizar seu sofrimento?
Então o que dizer?
Escrito por maedavivica às 20h28
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| 04/11/2007 |
A você
Fiquei mais triste com a injustiça da vida, sei que depois da burrada que eu fiz, não consigo seguir sozinha, então fico cobrando dos outros momentos de vida, visitas, carinho, um abraço apertado.
Preciso, não só, que me digam o que fazer, mas que me peguem pela mão. Estou mais fragilizada do que já estava.
Queria poder participar daquela reunião pra combinar a viagem, fazer planos para o natal; queria poder sair pra fazer compras, ir ao cinema; queria poder ter novidades pra contar, porque não tenho novas memórias, nunca mais terei novas lembranças.
Se você soubesse o que é solidão, me ouviria só por ouvir, estaria presente só por estar. Queria muito que você imaginasse, sem eu ter que dizer, de que pequenas coisas e gestos eu preciso, talvez um minuto do seu tempo, talvez seu apoio, algumas palavras.
Talvez eu precise que você não tenha medo de se aproximar; hoje, tudo que parece pouco pra você é bastante pra mim; lembre-se que eu só tenho o passado, passado e repassado; é o bastante pra lembrar, mas não o suficiente pra viver.
Escrito por maedavivica às 09h51
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