Se falo em vãos, buracos e vazios, é como me sinto.
Sem esperança não há vida. Minha sina é estar vivendo em labirintos, procuro o fim, não uma saída.
Quero levantar a cabeça e buscar o ar que falta no meu peito, mas não tem jeito. Luto contra abismos e monstros que o habitam. Transito entre o açoite do chicote e a palmatória do tempo.
Se ando em círculos e contorno espaços, busco me distanciar do sobressalto, do susto. Custo a me livrar do frio que percorre a espinha. Piso em falso, caio no buraco. Conheço a dor que me definha.
Abro as asas do anjo que não sou e voo nessa estranha paisagem. A morte pra mim ainda é novidade, um caminho escuro e distante. Sou uma alma solta no espaço, vazia e relutante.
Quero gritar, mas a voz cala na garganta. Silencio essa dor que se agiganta. Engulo o choro, as palavras, engulo o grito. Sou meu destino, meu pesadelo, sou o som do meu grunhido.
Escrito por maedavivica às 21h59
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