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| 01/12/2007 |
Voluntariado
Às vezes quero fazer alguma coisa útil e então penso no voluntariado, mas não é tão fácil como parece.
Quando eu estive no setor de captação de órgãos do HC, me perguntaram se eu não gostaria de participar de palestras e dar meu depoimento; na época eu não tinha a menor condição, mas hoje quando pensei que, talvez, fosse uma boa idéia, não obtive resposta.
No mesmo HC, pensei em trabalhar com crianças, mas a atendente me informou que é preciso preencher uma ficha e aguardar, porque o numero de voluntários é muito grande.
Tentei então um centro espírita, pensei que talvez eu pudesse ajudar atendendo ao telefone, servindo água ou qualquer coisa parecida, mas obtive a mesma informação: a lista para voluntários é enorme.
Ou eu não preencho os requisitos necessários ou o Brasil é o país do voluntariado. Que bom... tô cansada de ouvir em filmes e seriados americanos falarem mal do Brasil.
Talvez tenha sido melhor, não acredito ter estrutura para, por exemplo, cuidar de crianças com câncer, órfãos ou deficientes. Acho que não tenho mais estrutura pra nada... Penso que talvez ainda seja cedo pra isso, mas pensar que é cedo me leva ao meu principal problema; viver ainda.
Escrito por maedavivica às 10h42
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| 30/11/2007 |
Foi uma semana tão difícil, tão estressante, eu não sei o que está acontecendo, não consigo parar quieta em nenhum lugar, nem me fixar em nada.
Não gosto de me sentir assim; fico querendo coisas que já não posso ter. Fico desesperada querendo que o tempo passe, que alguma coisa aconteça, mas o quê ?
Essa inquietação é uma espécie de calmaria que antecede à tormenta. Eu sei, eu sinto.... Está no ar uma dor tão violenta que o meu coração a bloqueia, para que eu possa depois suportar mais um tranco.
Nesse período fico suspensa no ar, não choro; fico como se estivesse descansando, congelada no tempo; nem respiro de medo; é como se tudo fosse acontecer outra vez.
Tenho só recordações boas da minha filha, mas a lembrança do seu ultimo dia torna muito maior a minha dor; tento me lembrar dela sorrindo, mas nem sempre consigo; me vem imagens violentas que eu não consigo apagar.
Foi mesmo uma semana cumprida; cheia de pequenas depressões e ansiedades e sei que ela não termina num fim de semana; vai ser um longo mês.
Queria que tudo isso já tivesse passado; queria que eu também fosse passado, porque nem a deixaram, nem me levaram e eu não sei mais o que fazer.
Escrito por maedavivica às 22h48
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| 29/11/2007 |
Caminhos e Estradas
Desequilíbrio. Como dizem: perdemos o chão, perdemos a noção, perdemos a razão e ficamos assim, desequilibradas.
A impressão que eu tenho é que o mundo ficou fora de foco, como uma fotografia mal tirada aonde a gente não se reconhece; tão desfocada que mistura imagens de mãe e filha.
Quanto da minha filha morreu? Quanto de mim está vivo?
Se tudo é só uma questão de tempo e espaço, nesse meu desequilíbrio desfocado , acho que estamos no meio do caminho.
É uma difícil caminhada por atalhos diferentes, mas no fim da estrada, vamos nos encontrar num canto qualquer deste universo e seguir nossa jornada.
Esquecer que infelizmente estivemos separadas. Ficaremos enfim juntas, ela para suavizar minha estrada, eu para amparar seu caminho.
Afinal foi lá onde começamos nossa caminhada.
Escrito por maedavivica às 09h31
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