Não sei quantos mil caracteres eu já escrevi, parece que estão sobrando poucos no blog; eu nem sabia que tinha limite de caracteres!
Talvez eu precise criar um outro blog, porque tenho muita vontade de escrever, embora tenha diminuído, ainda é muito necessário. Parece que essas palavras são uma ligação intima e solitária entre nós duas.
Sinto saudade de Serra, das noites mais calmas e frias; da hora em que você chegava e se aninhava em mim; suas mãos geladas que procuravam se aquecer numa caneta de chocolate quente que eu fazia pra você. Eram horas soltas no tempo, o ar era mais puro e a vida mais bonita.
Se lá fora a cidade dormia, lá dentro nós conversávamos, era o nosso paraíso; toda a vida se resumia ao fato de estarmos juntas. O mal se aproximava e não nos dávamos conta disso.
Sua doença nunca nos deu nenhum sinal, foi como se você tivesse sido sugada da face da terra; ficou um: ai meu deus, no ar, um grito que nunca foi dado.
Ah, minha filha, como eu vou te explicar que essa dor não acaba; que ela é um prolongamento de nossas vidas? Se você está bem, em algum lugar, por favor, me dê um sinal. Nunca sonhei com você e talvez esse bloqueio é que me mantenha viva.
Conheci o amor através de você; um volume imenso de amor que eu não sei redistribuir; não consigo repassá-lo a ninguém; tenho amor por outras pessoas, mas o que era seu continua seu e sufoca meu peito.
Não sei o que fazer com ele, sinto tanta falta de te demonstrar esse amor; de poder fazer por você pequenas coisas, de estar ao seu lado nos momentos difíceis, de simplesmente te amar.
Sinto saudade de todas as horas em que estivemos juntas, cada minuto de nossas vidas está registrado em meu coração, desde a primeira vez em que você respirou sem mim.
Te amo tanto ainda filha, como se você estivesse aqui, mas é difícil, entenda que é difícil te amar sem você; beijar fotos, acariciar lembranças...isso até acontece, mas me vem a imagem de sua ausência, a visão de sua partida.
Um amor tão grande que ficou estocado, talvez para o dia em que a gente se reencontre...
Escrito por maedavivica às 14h49
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