 |
|
|
| 16/02/2008 |
Por mais que eu chore, nunca será o bastante; não adianta, arrancaram minhas pernas e eu não tenho como seguir; tento, tento com todas as garras, mas nada mais é suficiente; estou mesmo, definitivamente, cansada...
Escrito por maedavivica às 20h56
[]
[envie esta mensagem]
|
| 15/02/2008 |
Filha, amanhã quando for levar flores pra você, vai comigo o desejo de estar ao seu lado. São dois anos e dois meses sem você, longos e doloridíssimos, e eu mal acredito que passaram; o relógio do meu tempo ficou mesmo maluco.
Enquanto eu estiver viva, quero ser o seu ar, a brisa suave em seu rosto, a chuva que alimenta sua terra; quero ser o sol que aquece seu dia, as estrelas que alegram suas noites e a paz que habita seu coraçãozinho. Quero estar com você, minha amiga, ser seu caminho, sua estrada, seu túnel pro infinito.
Quero que você saiba que nunca te deixei, se não pude acompanhá-la, e tentei, nunca foi meu desejo te deixar sozinha. Desejo sim, todos os dias, ser sua parceira nessa caminhada; desejo a sua companhia e não vai ser difícil nos encontrarmos, porque o amor que sentimos é tão grande e tão profundo que deixa rastros coloridos espalhados no universo.
Escrito por maedavivica às 22h26
[]
[envie esta mensagem]
|
| 14/02/2008 |
Se nem o mar é realmente azul, porque o azul do mar é impressão do verde; se nem as estrelas brilham, porque o brilho das estrelas é afirmação de quem sonha; se a ilusão de ótica nos faz ver desenhos inexistentes e a miragem no deserto é tão somente uma miragem, quem sabe esta vida seja apenas extensão de outra; se ela é só o reflexo do inferno no espelho, então é possível que a morte nem exista.
Se tudo, enfim, é ilusão, porque o tempo nem mesmo existe, viver nesse inferno refletido é um desaforo; quando nossa vida já seguiu adiante e tão somente a carne persiste, é hora de se distanciar do corpo e prosseguir com a alma.
Escrito por maedavivica às 10h18
[]
[envie esta mensagem]
|
| 12/02/2008 |
Nesses últimos dias tive muita vontade de voltar a tocar, de aprender, mas a escola de teclado é longe, está muito cara e parece que esse calor não vai acabar nunca, parece que nunca vou melhorar.
Olho, com uma certa inveja, as mães de fé que conseguem superar, pelo menos até onde é possível, e seguem em frente, realizam outros sonhos, seguem carreiras e planejam futuros.
Eu mal consegui sair daquele apartamento; estou sempre pra lá e pra cá, andando no quintal, arrumando camas, estendendo roupas no varal; o cheiro de roupa limpa sempre me trouxe paz.
Vivo daquele passado como se pudesse voltar atrás. Perdi mesmo o fio da meada e não consigo retomar minha vida.
Só sei que não posso perder o controle, às vezes estou por um fio, mas me seguro; os olhos chegam a arder por segurar o choro; se eu perder a razão será um caminho sem volta.
Se eu passar meus últimos dias deitada, definitivamente, numa cama, serei um peso a mais pra minha família, serei um fardo pra memória da minha filha.
Sigo como posso, muitas vezes atormentada, algumas vezes esquecida, outras desesperada; saudosa sempre. Paz, nunca mais eu tive.
Escrito por maedavivica às 09h30
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
|