Por que os Filhos Morrem?

01/03/2008

Não me lembro do autor desta musica, acho que é uma versão de uma Guarania, do tempo do onça também, mas é assim:

 

Meu primeiro amor tão cedo acabou

só a dor deixou neste peito meu.

Meu primeiro amor foi como uma flor

que desabrochou e logo morreu.

 

Nesta solidão sem ter alegrias

o que me alivia são meus tristes ais.

São prantos de dor que dos olhos caem

é porque bem sei

quem eu tanto amei não verei jamais.

 


Escrito por maedavivica às 09h13
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Escrito por maedavivica às 09h12
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29/02/2008

As coisas são assim... mas não deveriam ser....

 

A Leila era uma mulher alta e forte, trabalhava muito pra criar os filhos, ela fazia bolos e salgados e vendia pela cidade; subia por um lado da rua do comércio vendendo os salgados, enquanto seu pai, o vô dos doces, descia pelo outro lado vendendo bolos.

 

Um de seus filhos fazia caratê com a Vi e o vovô, assim como eu, ficava do lado de fora, durante horas, esperando que a aula acabasse.  Queríamos deixá-los à vontade, mas  tínhamos medo que alguma coisa pudesse acontecer com eles.

 

Ele era um menino ainda, um esportista, não bebia, não fumava, era quieto e caseiro. Uma noite saiu com os amigos; numa cidade tão pequena, foi se reunir com eles na avenida da paquera.

 

Nunca tive coragem de perguntar a ela o que realmente aconteceu; eu ainda a vi muitas vezes, carregando o isopor nas costas; confesso que rezava pra ela não entrar na loja, desta vez eu estava despreparada para enfrentar uma morte tão estúpida e cruel.

 

Todas as vezes que tive que olhá-la nos olhos, ficava em pânico sem saber como reagir. O que se contava na cidade é que alguns “amigos” colocaram drogas no refrigerante dele. Ele passou muito mal e os “amigos” com medo das conseqüências o jogaram de um barranco. Esse menino morreu sozinho, na mata, passando muito mal; quem sabe chamando pela mãe.

 

Eu me perguntava como ela conseguia acordar todas as manhãs; que tipo de tristeza absurda vinha misturada com aqueles bolos e salgados. Imagina  quantas lágrimas  estariam ali.

 

A Vi nunca se conformou com essa morte, coincidência ou não, depois de tantos anos fazendo caratê, um dia ela acordou e disse: não quero mais.

 

É... as coisas são assim....mas não deveriam ser.....

Escrito por maedavivica às 06h22
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28/02/2008

 

Todas as mães enlutadas ou órfãs, como elas dizem, querem morrer, não adianta desconversar. Estava lendo que uma mãe, quando soube que outra mãe havia falecido, pensou: ela conseguiu...

 

Vivemos disfarçadas de gente normal.

 

Ao mesmo tempo, e é difícil de explicar, nos alimentamos, vamos ao médico, tomamos remédios e olhamos dos dois lados da rua antes de atravessar. Porque?

 

Se fomos criadas de uma maneira “católicamente” correta, desejar a morte também não é pecado? Estamos então, como dizem, entre a cruz e a espada, porque esse desejo intimo, muitas vezes não confessado, existe em nós.

 

Se é um desrespeito viver dessa maneira, desrespeito maior é ficar sem nossos filhos; nos esforçamos, mas não nascemos com o dom de dar a outra face; alguma coisa muitíssimo importante foi tirada de nós e o instinto é revidar.

 

Mas que armas nos sobraram? Com o que lutar? Para a grande maioria a religião é uma benção, um querer, de todas as formas, acreditar na salvação.

 

Eu não, meu grande inimigo é o tempo e revido contra ele não vivendo. O luto interno é maior  do que eu, maior do  que qualquer fé, do que qualquer salvação.

 

Inconcebível me alimentar. Incompreensível me medicar. Lamentável viver.
Escrito por maedavivica às 08h25
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27/02/2008

Lembra de nós, filhinha...

 

Eu levantava cantando, sempre com uma musica diferente na cabeça, quando você acordava, perguntava: qual a musica de hoje mãe?  e eu cantava pra você com aquela voz suave de quem fuma há tantos anos.

 

Às vezes nem me lembrava da letra, só cantarolava um pedacinho, em outras, te enrolava com meu inglês macarrônico. Você se divertia, principalmente quando eram aquelas musicas “do tempo do onça”, como você dizia.

 

E quando eu acordava na era da discoteca então, cantando Tom Jones e dançando pra você... você não acreditava, ria muito e dizia: é uma “paiaça” mesmo.

 

Se bem que, apesar da pouca idade, você  até gostava das velharias:

Maísa – meu mundo caiu e me fez ficar assim...

Cartola – bate outra vez com esperanças o meu coração...

Elvis-  Love me tender love me true....

 

Sabe filha, ainda hoje, só que não com tanta freqüência, eu acordo cantando e instantaneamente digo: já não importa, porque na verdade, não importa mesmo; nem as musicas são as mesmas, porque se a gente canta com o coração, hoje de tão machucado, ele não vai querer cantar.

 

Baden Powell- Ah que saudade, que vontade de ver renascer nossa vida....
Escrito por maedavivica às 08h02
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26/02/2008

Filhinha

 

Vivo pensando em como você estaria se estivesse aqui, o que estaria fazendo.

 

Este ano você se formaria; sonho, aqueles sonhos que a gente sonha acordada, com a festa de formatura, seu vestido, você maquiada... e como você estaria linda. Talvez já estivesse trabalhando, com certeza já teria ido ao Canadá.

 

Lembro que, muito sem jeito, você me perguntou sobre o que acharia de você ir morar com algumas amigas eu disse: eu te ajudo, vai ser uma experiência inesquecível.

 

Sei que nada importa, você estaria feliz e eu...nem se fala.

 

Você pequenininha foi a coisinha mais linda deste mundo, mas ver você se tornar mulher, foi o maior prazer da minha vida.

 

Não tinha realizações pessoais em você, nunca quis que você fosse algo que eu não consegui ser; você era o que era, fazia como queria, eu respeitava suas decisões e ficava de suporte vendo você vencer todas as etapas desta vida.

 

Você só não venceu a morte, filhinha. Era seu destino? deus quis assim? não sei... sei que ela chegou sorrateira e te pegou de surpresa.

 

Por isso hoje, filha, eu não consigo me conformar, porque sei que se ela tivesse te dado uma chance, tempo para lutar, você a teria superado.

 

Que pena filhinha, que pena....
Escrito por maedavivica às 08h55
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24/02/2008

O melhor de mim já não é nada, aprendi a duras penas a ocupar o próprio espaço. Estou sozinha como sempre.

 

Passei o dia inteiro irritada, não dormi, levantei acabada: que droga, todo mundo só me trás problemas...é um que está sem dinheiro, outro que está doente, alguém passou mal, outro está muito longe, estou cansada.

 

Será que ninguém entende???

 

Sentei e escrevi para as mães do grupo; falei e falei, reclamei, pedi opiniões e elas vieram de diversas formas: deixa pra lá, não atenda ao telefone, fale com eles, você não merece, é assim mesmo.

 

Uma das mães me escreveu:

Eu tb estava a fim de largar tudo e sumir na vida (chamo isso de stress e depressão) Mas qdo vi que estavam precisando de mim, embora eu nao tivesse a minima vontade de ajudar, ví que FAMILIA é isso AMOR E UNIÃO, pq ninguem vive
sozinho, temos que ter amor, paciencia, compaixao e atitude.

 

Outra amiga me disse:

...Por isso, ajude até onde vc aguentar, um soldado ferido na guerra, tem restrições, precisa ser poupado, senão o pouparem, ou ele se defende como pode, no grito, ou então morrerá aos poucos sem que ninguem perceba que está morrendo...

 

A irritação passou e foi dando lugar à serenidade; minha família tem muito amor e união, não preciso me defender no grito nem morrer sem que ninguém perceba; posso ser a pessoa mais triste desde mundo, mas não estou sozinha.

 

Estou feliz por eles fazerem parte da minha vida e mais feliz por poder ajudá-los com tão pouco: uma palavra, um ombro, um conselho ou alguns minutos do meu tempo.

 



Escrito por maedavivica às 13h07
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BRASIL, Sudeste, Mulher, MÃE


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