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| 18/04/2008 |
Escrito por maedavivica às 11h03
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No dia das mães
A quem julga, não sendo mãe, que passar por este dia é fácil, venha me fazer companhia, venha tentar me convencer de que a morte é um fato natural da vida e que portanto, temos que seguir em frente e nos conformar.
Simples assim...
Quem tem ao seu lado, filhos e netos, quem está agora se preparando para o almoço desse dia, quem não tem filhos mas é filho de alguém e portanto está beijando sua mãe agora, não consegue sentir essa dor.
Só quem tem os braços vazios de um abraço, o rosto ausente de um beijo, o coração rasgado de saudade é quem pode falar sobre esse dia.
Quem à noite, busca imagens nas lembranças pra sentir um afago, busca o calor de um contato vivo e sente falta daquele sorriso, é quem pode falar de saudade.
Quem na solidão de uma tristeza infinita procura palavras pra descrever o que sente e sente, mesmo à distância, aquela mãozinha que nos acaricia.
Só quem perdeu sabe o que é ter perdido.
Sabe como o mundo se transforma, de repente, numa desilusão descolorida; sabe que aquele futuro, do jeito que sonhamos, jamais virá.
Quem perdeu um filho, sabe do que estou falando; sente a distância incomunicável, a presença ausente e sabe que é seu filho.
Não poder tocá-lo, não poder lhe fazer um carinho.... dizer, eu te amo, fica perdido no espaço com milhões de outros filhos.
Escrito por maedavivica às 11h03
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Estou perdida na escuridão da ignorância; acho esse assunto muito delicado, mas não fico mais na defensiva, ao contrário, busco nas palavras de quem acredita, acreditar.
Ontem, uma amiga muito querida, me falou sobre o céu; sobre nossos filhos e a descrição de tudo foi tão linda; a sensação de crer foi tão mais acalentadora e gratificante que foi como se eu estivesse vendo e, o coração de mãe precisa de todos os alentos.
Porque tenho que questionar tudo o tempo todo, se é tão mais fácil me deixar acariciar; se tive uma vida inteira para buscar um deus que confortasse meu coração e, teimosa, o negava, hoje eu quero tentar encontrá-lo. Dizem que buscamos a fé pelo amor ou pela dor, também se busca por cansaço. Estou cansada de apanhar...
Eu não sei pra onde vou
Pode até não dar em nada
Minha vida segue o sol
No horizonte desta estrada
E onde o vento me lavar
Vou abrir meu coração
Pode ser que num caminho
Num atalho, num sorriso
Aconteça uma paixão
(Um sonhador- Leandro e Leonardo)
Escrito por maedavivica às 09h34
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| 17/04/2008 |
Todas as vezes que vou levar flores pra você, volto como se tivesse sido empalhada, sem nada por dentro; acho que deixo ali, ao seu lado, mais do que meu coração, como eu pensava.
Deixo minha alma, minhas lágrimas; deixo a dor que sinto no peito; deixo ali o sorriso que já tive, a juventude que se foi; deixo a mim mesma, pois o que vem depois é saudade, solidão e espera e então, começo mais uma caminhada em busca de energia.
Não... não estou reclamando, filhinha; gosto de deixar florido o seu lugar e, se cada vez que eu vou até lá, deixo um pouco mais de mim, meu amor, logo estarei ao seu lado.
O que é muito difícil é conciliar vida com não vida, coisas desse planeta que preciso fazer, com coisas que eu faço com a alma.
Conversamos todos os dias, o tempo todo; mando pra você a luz que tenho e a que procuro ter e lhe envio as mais lindas flores diariamente.
Meu coração é só amor quando penso em você, mas o lado terreno dessa dor toda é que me faz pensar em seu jazigo e por isso gosto de visitá-lo.
É tão pouco o que eu posso fazer por você hoje em dia... recordar tem sido minha alegria, o alimento dessa alma já cansada que se revigora cada vez que vê seu rostinho.
Tudo é válido por amar você, até viver...
Escrito por maedavivica às 15h04
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| 16/04/2008 |
Escrito por maedavivica às 19h49
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Um amigo andou me falando sobre a comunhão entre pessoas que se amam, essa ligação que não se rompe com a morte; disse que eu tenho futuro sim e que estou me encaminhando até ele; que sobrevivi para que minha filha pudesse sair ilesa das dores desse mundo.
Vendo desta maneira, eu aceito ter ficado por aqui; se consegui salvar minha filha de um grande sofrimento, entendo que eu o tenha pego pra mim; não tenho duvidas de que se eu tive um milésimo de segundo para decidir, eu o fiz sem pensar.
Por ela suporto carregar a cruz e as pedras; por ela posso esperar mais um pouquinho...
Se existe alguma verdade nisso ou é apenas catecismo, não sei e não importa. Sei que foram palavras que acalentaram minha alma e então, quando todas as vezes que eu disse estar vivendo por minha filha, estava enfim, dizendo uma verdade.
Creio que existam poucas almas que se quiseram tanto e se completaram de uma forma tão grande; mesmo vivendo nesse planeta de horrores, com preocupações materiais, problemas diários e até mesmo com as brigas que tivemos, nenhuma de nós nunca se distanciou da outra. Nunca deixamos de nos amar e acredito que essa comunhão tenha acontecido muito longe daqui, num acordo entre duas almas que se queriam.
Dizem que um dia, de alguma forma, com uma palavra, alguém é tocado péla fé; essa palavra é comunhão. O que mudou nessa conversa com esse amigo? Vou pensar mais em como caminhar em busca desse tão esperado futuro.
Hoje acredito, quando de pequena, ela dizia ter me escolhido, eu a escolhi também; sorte minha ter passado por este planeta com uma missão tão linda, criar minha filhinha.
Escrito por maedavivica às 15h40
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| 15/04/2008 |
Perder minha filha mudou minha maneira de enxergar todas as coisas; já não vejo uma montanha, vejo pedra por pedra; não vejo uma praia, vejo cada grão de areia; tudo separadamente, de maneira que eu possa assimilar.
É como ser um dislexo emocional.
Sinto que estou toda fragmentada e vivo, como num filme, cena por cena; o acumulo de informações ou ações me deixa extremamente agitada e pra quem já não dorme, isso é mais um inferno. Preciso que as coisas aconteçam devagar.
De uma maneira que eu não sei explicar, consegui com o tempo, conviver comigo mesma, criar meu próprio espaço e tempo e principalmente encontrar minha própria paz.
Sei que querem que eu me sinta bem, que eu melhore, mas nem sempre o que é bom para alguns é bom para os outros; sair desse meu mundo, onde posso andar no escuro por reconhecer o caminho, tem me feito muito mal.
Talvez eu ainda não esteja preparada pra sair desse casulo, talvez não queira reencontrar um passado onde minha filha não esteja. Tenho que caminhar na minha velocidade pra poder suportar o trajeto, senão não vou conseguir.
Desculpe amigos, saí do m.s.n...
Escrito por maedavivica às 22h57
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| 14/04/2008 |
Filhinha
Hoje foi um dia muito duro; consegui colocar algumas fotos no orkut, sua tia Kiki esteve aqui e me ensinou, mas foi tão triste que eu pensei que fosse desmaiar. Estou exausta como se tivesse levado uma surra.
Ontem ou hoje, não sei, não dormi até agora, pela primeira vez consegui entrar no m.s.n. Falei com o Tito, com a tia Cle, com uma amiga do “Dordemãe” e com seu amigo de Amparo, o Felipe, lembra... é claro que você se lembra, sempre adorou seus amigos.
Foi bom, parece que não vou mais me sentir tão sozinha porque tem sempre alguém pra conversar, mas já estava muito cansada e me senti um pouco estranha porque esse era o seu lugar favorito.
É preciso ir aos poucos porque as mudanças que acontecem comigo nesse percurso são diárias; um dia amanheço assim, noutro assado, de um minuto pra o outro tudo muda, mas nunca pra melhor. Não tem como melhorar, toda beleza e graça dessa vida foram embora com você.
Bom, minha querida, já são mais de três horas da manhã de segunda feira e eu estou desde sexta feira sem dormir praticamente nada, já não consigo nem raciocinar, vou dormir e deixar tudo pra amanhã.
Foi mais um passinho filhinha, mais um passinho de encontro a você...
Escrito por maedavivica às 09h01
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