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| 26/04/2008 |

Escrito por maedavivica às 10h23
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Sou uma guerreira ou não tive opção?
Acho que eu cheguei a um ponto em que, ou eu vou pra frente ou eu morro, percebi isso com as outras mães do grupo, com minha grande amiga Beth, a pessoa mais generosa que eu conheci.
Psicólogos falam das cinco fases do luto; só acredito se o psicólogo perdeu um filho, porque não existem fases, não são caminhos a serem seguidos; existe um vai e vem de sentimentos.
Nenhuma de nós consegue, literalmente, sair da depressão porque tudo vira uma luta diária. Temos num mesmo dia: sensação de abandono, impotência, culpa, revolta, desordem emocional, dor no peito, tristeza, choro compulsivo, vontade de gritar, incredulidade e, saudade constante.
E, se um desses sintomas passa... não se preocupe, porque ele volta. Às vezes volta de maneira mais forte; parece que cada um desses sintomas está em evidência numa determinada hora do dia.
Mães que perderam seus filhos há mais de quarenta anos, sentem as mesmas sensações; talvez elas se espacem mais; talvez com o tempo consigamos passar mais horas do nosso dia em paz, mas nunca, jamais vamos nos curar.
Então, eu me pergunto: somos guerreiras ou nos tornamos por falta de opção.
Escrito por maedavivica às 10h19
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Escrito por maedavivica às 23h16
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| 25/04/2008 |

Escrito por maedavivica às 01h28
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Filha querida
Quero demais encurtar a distância entre nós, deve haver, minha filha, um caminho seguro que me leve até você; seja através de sonhos ou de sensações que se tem, mas não se explica.
Enquanto me for obrigatório viver, quero ter mais do que maravilhosas lembranças; talvez exista um “meio do caminho”; um cantinho de luz onde possam se encontrar mães e filhos.
Há de ser num campo aberto, ensolarado; há de ter um chão macio e, se toda a extensão for coberta de flores, mais flores teremos com a chegada de nossos filhos.
Que maravilhoso encontro de espíritos que se amam; que brilho há de ter esse lugarzinho, repleto de risos, olhos brilhantes; vida... vida que aqui já não temos.
Talvez minha dor não me deixe ver que esse lugar existe; quem sabe já estejam todos ali comemorando; de mãos dadas, olhos brilhando, coração batendo; porque é assim que mães e filhos se amam.
Quero fechar meus olhos para as imperfeições e maldades desse mundo; quero conseguir a pureza que só a alma de mãe possui; quero adormecer, filha querida, e abrir meu coração pra esse encontro.
Escrito por maedavivica às 01h18
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| 23/04/2008 |

Escrito por maedavivica às 02h55
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Hoje é mais um daqueles dias em que eu tenho vontade de gritar; prefiro nem abrir as janelas para não saber que há vida lá fora; fico na penumbra, emudeço, choro...
Dias tenebrosos e assustadores em que eu não consigo aquietar meu coração; tenho vontade de sair correndo pelas ruas ao mesmo tempo em que uma apatia incontrolável me mantém na cama.
Ficou tão claro, durante toda essa correria de filhos e netos pra tentar tirar minha mãe da depressão, que eu não tenho ninguém que faça o mesmo por mim. Meu mundo encolheu completamente e, se me pergunto todos os dias, até quando, é por que à minha frente está o medo.
Esse é um caminho solitário que ninguém quer compartilhar; uma realidade avessa a tudo que é considerado normal. A dor cansa e fragiliza; perder um filho nunca se torna passado e se reinventar, diante de um vazio tão grande, se torna quase impossível. Esse é o nosso presente e será nosso futuro.
Escrito por maedavivica às 02h53
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| 22/04/2008 |

Escrito por maedavivica às 10h46
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| 20/04/2008 |

Escrito por maedavivica às 01h07
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Tive uma noite muito difícil, minha mãe esteve internada por dois dias e estava bastante deprimida. Fui até lá, fingi que estava bem, pra poder tirá-la da cama. O que eu não consegui fingir foi o medo de perdê-la.
Nossas vidas mudaram demais; tudo o que havia em nós foi passado a limpo; de repente, a pagina seguinte estava vazia e numa folha em branco, tentamos continuar nossa história.
Não tem sido fácil pra nenhum de nós e, como num jogo, se um cair, derruba os outros; estamos nos segurando, tentando agarrar a realidade pra poder enfrentar essa perda tão grande.
Meu deus, como é frágil a vida... fomos tão felizes, sem nos darmos conta das grandes tristezas que viriam. Como perdemos, em um segundo, alguém que nos é tão querido; uma vida que se acaba diante de nós sem que possamos fazer nada.
Pensei que nunca mais fosse sentir medo, mas ele está ali, porque outras vidas, tão importantes, podem ser perdidas.
Escrito por maedavivica às 23h01
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