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| 10/05/2008 |

Escrito por maedavivica às 09h35
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Quando era hora de te acordar eu entrava quietinha, minutos antes e ficava te olhando, não queira quebrar o encanto de te ver dormindo.
Era a paz do meu dia; aqueles momentos mágicos em que eu me enchia de energia e, só de olhar pra você eu sabia, que era bonito viver.
Meu complemento; a minha pele era você.
Doei a mim mesma na decisão de doar você. Como então viver se hoje tenho apenas sombras por dentro, se de tudo que fomos sobrou a toxina e o veneno.
O que eu tinha de bom foi com você; meu coração está em outra pessoa, meu conteúdo está com alguém; sem você sou oca por dentro; um vazio enorme tentando viver.
Sobrou meu cérebro, o mesmo que te levou; era nossa parte dividida; sobrou pra que eu tivesse memória, embora eu desse tudo pra estar esquecida.
Lembrar de você me dói ainda, porque te lembro viva.
Nunca mais seu rosto amigo onde minha paz residia; nunca mais uma palavra, um sorriso e, é assim que eu vivo, buscando você.
Esperando que meu tempo acabe e que você entre quietinha, minutos antes, pra quebrar o desencanto de eu continuar vivendo.
Escrito por maedavivica às 09h34
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| 08/05/2008 |
O que é difícil para as pessoas entenderem, é que perder um filho é o limite absoluto de todas as nossas forças; é ir muito além do que a vida nos preparou para receber.
Se uma mãe enlutada perder o controle por causa de um botão que não fecha, lembre-se que não se trata apenas de um simples botão.
O cansaço emocional e o desgaste físico, nos fazem esquecer de certos compromissos; de algumas delicadezas e de datas especiais. Quando uma mãe enlutada lembrar de seu aniversário, ela estará, mais uma vez, ultrapassando seu limite.
Porque precisamos ter o dobro da força que outras pessoas precisam para continuar lutando; precisamos de um impulso maior pra levantar todos os dias; para cumprir nossas tarefas; pra simplesmente enfrentar a vida que ficou tão diferente.
Nos tornamos frágeis; mesmo quando parecemos ser fortes, uma palavra, uma cena, um lugar ou uma pessoa, qualquer coisa, de repente nos abala.
E, tem horas em que um simples movimento nos deixa exaustas; horas em que olhamos sem estender o que estamos fazendo, mesmo nos atos mais simples e, o que parece simples pra você, é uma barreira a mais que ultrapassamos; um esforço muito grande pra conseguirmos ir além do nosso próprio limite.
Escrito por maedavivica às 22h31
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| 07/05/2008 |

Escrito por maedavivica às 09h05
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Assim comecei meu dia; abrindo a mensagem de uma das mães encontro essa frase:
"Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)
E, que escolha eu tive... um novo fim obrigatório sem minha filhinha, seja qual for, será um fim de pequenas coisas, não de grandes realizações.
Deixei minha filha partir porque não pude lhe prender a vida; lembro de, naquela alucinação, ter dito: vai filha, siga seu caminho, não se preocupe comigo porque eu vou conseguir.
Não tinha noção do que dizia; conseguindo estou, mas e daí; quando lhe tiram o coração e a alma e lhe pedem pra seguir, você vai, mas vai como zumbi.
Não tenho idéia do quanto estou viva ainda, até que ponto; não me conformo com a morte de minha filha, só me ajoelho diante do fato; a dor foi me curvando como arvore velha sem seu fruto.
Por mais que eu invente um fim, por mais que eu faça ou ajude, por mais que eu aprenda e ensine, sou só um pedacinho, um caco.
Então... o que querem ainda levar de mim? Ah! maravilhoso Chico, falar foi fácil, difícil é passar por este fim.
Escrito por maedavivica às 08h59
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| 05/05/2008 |
Estou extremamente triste e tão vazia... não consigo nem sequer falar da saudade que sinto; parece que com o tempo alguma coisa a mais se calou dentro mim. Já nem escrevo poesias.
Fico pensando em quanto eu endureci nesse tempo; o quanto será que eu mudei. Uma vez eu disse que precisava me reinventar, mas não consegui; nem sou o que eu era, nem consigo me refazer.
O passado, antes que minha filha existisse, apagou como se não significasse nada e o futuro já não me importa. Queria estar em outro plano, num estágio mais elevado, mas sou tão humana ainda, estou tão crua de sabedoria.
A fé não tem uma aparência definida, talvez por isso eu não a encontre; esse complô divino pra o nosso bem, me enlouquece.
Será que é mais feliz quem não se questiona e vive e morre na ignorância? Será que quem aceita a vida simplesmente como vida e a morte como um processo natural, sofre menos?
Estou longe de me espiritualizar... tenho, antes, que encontrar o meu eu; me localizar no universo pra ver se consigo entrar em sintonia.
Escrito por maedavivica às 07h17
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