Você era tão linda... digo era, porque não sei que aparência você tem hoje; dizem que permanecemos iguais, então fico pensando se um bebê será um bebê pra sempre; me falam da reencarnação e eu fico com ciúme de você.
Não pude tê-la por muito tempo nesta vida e não gosto de pensar que voltaremos como irmãs ou simplesmente primas; éramos tão perfeitas como mãe e filha.
É com isso que meu coração se debate, não a encontro em parte alguma; nem um vestígio, nem um contato, só saudade...
Filha, nos melhores dias eu sofro muito, mas tem dias muito piores e eu nem sei o que fazer, fico parada, olhando pra tela sem vontade de escrever.
Sua voz ainda ecoa na minha cabeça; me lembro da entonação, do timbre, de cada detalhe de você; me lembro do tom rosado de seu rosto na sua pele branquinha.
São memórias tão minhas que eu não tenho vontade de dividir com mais ninguém, os melhores momentos do meu dia.
Procuro hoje, entender o significado da morte mais do que o significado da vida, se é afinal na morte, que vivemos plenamente.
Quero encontrá-la, acordar ao seu lado e ver que o passado e tão somente o nosso presente; se há um recomeço, há de ser pra sempre.
Escrito por maedavivica às 08h54
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É difícil, sem aceitar ou compreender a morte de minha filha, que eu ainda tenha que ser “feliz”; feliz porque a vida me foi dada por quem me quis realmente um dia.
Por quem lutou pelo meu futuro, por quem foi feliz por mim, chorou por mim, me aconselhou, me consolou, me repreendeu quando necessário, mas me criou e sonhou comigo.
Se hoje dividimos a tristeza e a saudade, antes, dividíamos sonhos e realizações; foram muitos anos de uma convivência de alegrias, união, cumplicidade e amizade então, que direito eu tenho de amaldiçoar a vida que me foi dada com tanto amor.
Por mais que eu deseje a morte, nem ela me pertence; a meus pais eu devo o “continuar vivendo”. Ontem, quando eles chegaram de viajem, quando muita gente nem chega, olhar para aqueles rostos tão queridos, tão amados, me fez perceber nitidamente, a seqüência da vida.
Embora eu não tenha outros filhos, não vá deixar senão lembranças, deixo também o que realmente somos, a história de uma família que, apesar de toda a dor que essa morte nos trouxe, consegue ainda ser feliz.
Escrito por maedavivica às 11h03
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