Como é difícil....
Ultimamente as mães têm me falado muito sobre a outra vida; não tenho duvidas de que a fé conforta e afinal de contas, a falta dela só me tem trazido dor e amargura.
É uma felicidade inocente e infantil acreditar que minha filha está bem, mas é minha única felicidade; pensar que ela está estudando, evoluindo e, quando eu digo do pouco que ela aproveitou da vida, fico sabendo que lá a vida é quase igual, mas sem a presença da dor e do sofrimento.
Então.... se eu já perdi tudo, porque não me permitir essa alegria?
Ontem fiquei pensando em minha linda menina viva, no seu sorriso iluminando o céu, na amizade e no amor que une os filhos de mães enlutadas; adormeci sorrindo e o que de melhor pode me acontecer, o que sobrou na minha vida de tão bom que supere essa imagem.
Não vou correr para primeira igreja que aparecer ou o primeiro centro espírita; vou só acreditar nessa “verdade”. Caminhei nestes dois anos e meio totalmente cega, teimosa, incrédula, inconformada.
Exigir de mim mesma uma recuperação é impossível, então o bem que eu posso fazer a mim mesma é acreditar. Estou cansada de lutar contra a maré. Se essa dor tão grande pode ser amenizada, eu quero esse remédio.
Venho tentando discutir e encontrar a fé, mas o que importa onde ela esteja, vou correr atrás desse balsamo, dessa alegria. Sempre ouvi falar que se chega a deus pelo amor ou pela dor e a dor tem me vencido.
A intensidade com que amei minha filha, produziu memórias para toda uma vida; quero também ter projeções dessa continuidade, no mínimo essas imagens vão suavizar meus dias e acalentar minhas noites.
Escrito por maedavivica às 09h21
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