Eu ouvi uma mãe enlutada dizendo que sentia saudade do que nunca teria. É bem por aí... É saudade dos sonhos que eu tive, dos planos que fiz, das certezas do futuro.
Ainda está atravessada na minha garganta a formatura da minha filha, o casamento; ainda estão entalados na minha garganta todos os meus netos.
A perda é em todos os sentidos, de todas as formas; sobra pouco pra quem ficou pra trás; sobra quase nada pra quem só teve um filho.
Se não tenho mais o que recuperar, me resta construir, mas o que? Não tenho como deixar de viver no passado; não é como uma briga de namorados ou um emprego mal sucedido; é minha filha.
Meu futuro está baseado nesse passado e essa é a encruzilhada, o ponto em que permaneço; não posso voltar atrás e não consigo seguir em frente.
Hoje sou um décimo do que eu era e é com esse pouco que eu vou continuar vivendo; não tem mais o que construir nem inventar; é só isso.
Escrito por maedavivica às 09h53
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Estou viva, minha filha, insuportavelmente viva e precisei cortar os cabelos e fazer as unhas.
Fui a mais um encontro de mães, queria muito rever algumas amigas e conhecer outras porque hoje elas são minha turma, como você diria, mas gostaria de não estar mais aqui.
Levei a vovó comigo, sua mãe maior, sua amiga, mas por mais que o encontro tenha sido “descontraído e alegre”, ela chorou por cada uma.
Saí de lá com um peso enorme no coração por elas existirem, por eu existir dessa maneira; é uma grande dificuldade acreditar que essa é minha vida, que aconteceu com a gente.
Parece que eu não tenho noção ainda da intensidade do ocorrido, é como se estivemos brincando de esconde-esconde, o gato mia, lembra filhinha, de como você ficava assustada mas participava?
É assim que eu me sinto, na escuridão daquele quarto esperando que alguém grite, o gato mia, e eu tenha que sair da brincadeira. Não vejo a hora, porque só depois que saímos de lá é que nossos corações voltavam a pulsar.
Essa, não é uma realidade completa, é uma inverdade, um contratempo, um antiespaço, um subexiste.
Até onde eu sei que você morreu? Até onde eu acredito? Quero muito, minha filha, sair da brincadeira....
Escrito por maedavivica às 10h18
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