Eu costumava dizer que, se recebe um centavo pra cada vez que você me chamasse, estaria rica; o que eu não daria hoje pra ouvir você.
Sabe filha, tenho estado num estado de espírito deplorável; é mesmo um compasso de espera; é como se eu estivesse numa cápsula do tempo, só partindo, partindo.
Não me importa mais o que existe lá fora, o silêncio já não me incomoda; aqui dentro está a retração da vida, a minúscula parte do que eu era.
O que nos aconteceu foi tão cruel que às vezes me pergunto se aconteceu realmente. Será que é um delírio? Uma febre tão alta que me faz vivenciar esse pesadelo eternamente?
E se for verdade? E se de repente eu acordar e tudo é como era? Então penso, que a morte talvez seja isso, um acordar definitivamente.
Estou aqui filha, mais uma vez, tentando me recuperar, coordenar idéias, fazer reajustes, mas não tem como, minha amiga, recuperar o que se desfez; essa é minha única verdade.
Ás vezes, ao olhar pela janela, me dá uma estranha impressão de vôo, me lanço ao espaço; a alma leve, o coração apaziguado; abro os braços de penas e me atiro ao inconsciente. São horas deliciosas de prazer intenso e liberdade.
Escrito por maedavivica às 12h32
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