No grupo Dor de Mãe tentamos ajudar também aos filhos que ficaram, embora eu não os tenha, sei como é difícil pra eles que perderam seus irmãos.
Um deles está tendo a oportunidade de trabalhar numa rádio do interior e um dia desses mandou um recado e dedicou uma musica para Celia.
Demorei pra entender que era pra mim; há muito tempo eu passei a ser mãe da Vitória e depois de sua partida, mãe da Vivica.
Intensifica o fato de eu não me reconhecer; até hoje não sei quem sou sem minha filha. Celia.... essa pessoa não existe há tanto tempo.
Tenho certeza que quem me conheceu depois da tragédia, sabe que uma tragédia aconteceu; fiquei marcada, todos os meus movimentos, a minha fala, o meu comportamento, denunciam.
A saudade é uma coisa que fica tatuada na gente e eu tenho tatuada em mim, minha filha; sei que ela está presente, mas na forma que eu a criei, ela não tem idade, é meu bebezinho, minha adulta, muitas vezes a criança que brinca despreocupada.
Essa é minha outra identidade, mãe da saudade.
Escrito por maedavivica às 07h54
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