Durante todo esse tempo já ouvi de algumas mulheres ou percebi no olhar, aquela frase: Ah se fosse comigo eu morreria.
A facada vai direto ao coração.
Porque eu não morri? Que ser humano mais miserável sou eu que sobrevivi? Fui mesmo uma boa mãe e amava de verdade minha filha? Amava sim, com todas as células e por todos os poros.
Hoje, já não me magoam essas palavras; viver da maneira que eu vivo é um castigo enorme e percebo que, até nisso, algumas tiveram mais sorte e conseguiram partir. A grande maioria vive, aos trancos e barrancos, mas vive.
A sensação da morte ronda quem perdeu o filho, então vivo a cada minuto sabendo que pode ser o último e isso, de certa forma, me faz viver. Me faz, por exemplo, levantar da cama e visitar meus pais.
Penso, hoje pode ser meu ultimo dia, então quero a casa arrumada, as plantas cuidadas; quero ter tido a chance de ver meus irmãos, de telefonar para um amigo.
Eu mesma já não me julgo, tirei do coração uma carga enorme de culpa e isso abriu espaço pra amar ainda mais.
Escrito por maedavivica às 08h14
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