Depois de muitos meses, acordei com vontade de tocar teclado, A Volta da Vitória, Ayrton Senna; manhãs de domingos felizes junto da família, a bandeira do nosso país em todas as mãos, em cada coração brasileiro.
Toquei, toquei, toquei, até meu coração se alegrar, porque mais do que tudo, eu precisava me lembrar da alegria, mas não sei mais como ela era, senti apenas algum tipo de emoção enfraquecida. Ficaram tão longe, tão sem propósito aquelas manhãs...
De repente os dedos já não tocavam e eu perdi a noção de onde estava.
Em cada gesto meu comecei a ver a expressão de minha filha, como se fossemos almas sobrepostas; ela ria nos meus lábios e olhava através de meus olhos; por um segundo talvez, não mais que isso, foi tão intenso que parecia que ocupávamos o mesmo espaço; foi a sensação mais exata da saudade.
Creio ter sido algo especial, espiritual, quem sabe... foi um encaixe perfeito de mãe e filha; mãos, dedos, ombros, todo o nosso corpo se integrou e, se havia uma separação física, naquele momento ela se perdeu no ar.
A sensação que tive foi de ter dois corações batendo; não sei se aqui ou em qualquer outro lugar, mas nos encontramos e o que importa onde e como tenha sido se, por um segundo pelo menos, gerei novamente minha filha.
Escrito por maedavivica às 07h02
[]
[envie esta mensagem]
|