Estou desde quarta feira passada sem telefone e sem Internet; a Telefônica não divulga nem mesmo uma pequena nota na imprensa explicando os motivos ou se desculpando pelo transtorno.
Estou isolada dentro do meu próprio mundo e mais uma vez são testadas, minha paciência e minha tolerância. Desta vez me descontrolei; me irritei, chorei, me senti infeliz e injustiçada.
Como me deixei ficar assim? Me incomodar com tão pequenas coisas? Que importância tem pra mim um telefone que eu quase nem uso e uma Internet que nem sei direito como acessar?
Mas não é bem assim... essa semana começou com a tristeza e o descontrole emocional de uma grande amiga; uma pessoa aparentemente tão forte que, às vezes, faz com que eu me esqueça que ela também é mãe enlutada e que sofre tanto quanto eu.
Dia dezesseis fez dois anos e dez meses que minha filha faleceu; sinto a proximidade das festas de fim de ano, tão difíceis para todas as mães que já não tem seus filhos e, na tv, vi que mais uma menina morreu injustamente, prematuramente; mais uma mãe vai se juntar a esse grupo.
Chorei toda a dor que tinha que chorar.
O interfone toca e uma vizinha, uma menina ainda que mal começou a viver, vem me oferecer seu carinho, diz que reza por mim e com um aparelho que eu nem conhecia, me conecta novamente ao mundo.
Assim, mais uma vez eu volto ao prumo e reconheço a verdadeira importância dessa vida; o quanto vale uma amizade, uma palavra, um abraço, um gesto de carinho.
Escrito por maedavivica às 23h32
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