Estou vazia, com aquela sensação de não existir; estava precisando desse descanso, mesmo sendo através de remédios, mas ainda não gosto de me sentir assim.
Estou dormente e incapacitada de amar.
Os olhos fecham sem meu consentimento, o corpo deita sem que eu queira, fico longe, alheia. Não posso negar que a sensação seja de descanso, mas é de invalidez também.
As dores deram lugar ao torpor, a revolta tornou-se apatia e eu não consigo chorar. Me sentia irremediavelmente viva, agora estou consideravelmente morta e não sei qual a diferença.
Dizem que se eu preciso continuar vivendo, que o faça de maneira mais suave; mas eu continuo na cama, minha filha continua longe de mim e eu estou mais longe dela.
A cada frase que escrevo, paro, olhando o nada, sentindo nada. Custa caro o descanso que me afasta das lembranças, que embaralha minha memória num sono manipulado.
O não sentir, talvez seja pior do que o sentir demais.
Escrito por maedavivica às 21h56
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