Estava “conversando” com uma amiga do grupo de mães e contando a ela que precisei ir ao dentista; ele é muito perfeccionista e depois que terminou as restaurações, para ver como tinha ficado seu trabalho, pediu que eu sorrisse. Por alguns segundos fiquei sem reação, depois disse a ele: não consigo. Saí de lá pensando no que significa hoje a vida. É difícil explicar pra quem não sente essa dor as dificuldades pelas quais passamos. O simples fato de ter que sorrir, as amabilidades e gentilezas que fazemos pelo convívio social, o esforço para participar de um grupo; tornam-se tarefas, a tarefa de continuar vivendo, porque nosso coração já tomou outro caminho. De uma forma estranha nosso mundo fica “grande”, estamos em outra esfera e buscamos coisas maiores. Coisinhas, detalhezinhos, probleminhas, já não nos atingem. Com certeza ficamos mais frias; a dor que abalou nosso corpo foi tão grande que nos sacudiu e nos transformou. Pra mim é um grande esforço ter que ouvir pequenas reclamações do dia a dia. Ah... o pneu furou; ah... tá chovendo muito; ah...dor de dente; ah... que pena. Daria qualquer coisa pra minha filha estar sentindo essas sensações tão simples. Chegar em casa molhada da chuva, acordar durante a noite com cólicas, enfrentar o transito pesado, reclamar dos preços altos ou brigar com o namorado. Porque tudo é simples quando estamos vivendo, nós é que não percebemos. É... sorrir...já não consigo.
Escrito por maedavivica às 10h35
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