Tô tão triste que dá até ódio. A cada ano parece que cai uma nova ficha e este ano é o carnaval. Não tem como não sentir inveja de todo mundo se preparando para viajar. Me sinto como se estivesse no sub solo da vida e este é o porão do inferno. Perdi minha filha e com ela tudo o que é confete desta vida; perdi desejos e vontades, a simplicidade de arrumar as malas, de procurar fantasias; de encher a cara, de dormir depois do almoço, de se estender ao sol ou descansar numa rede. Perdi o que qualquer pessoa viva faz com facilidade. Não pedi uma felicidade impossível, grandes riquezas; não sonhava com mansões ou carros importados. Quis o simples gesto de sorrir, piscar ou acenar; desejei o simples fato de acordar. Coisas que fazemos todos os dias de maneira automática sem sequer perceber que o fazemos. Busquei a grandeza única do ato de respirar. Se me foram dados dezoito anos de total alegria, me foram tirados outros cinqüenta. Devo então agradecer os dezoito anos que tive ou chorar os outros tantos que perdi? Não tem como não comparar outras vidas que seguem, não tem como não desejar que tivesse sido diferente. Hoje eu tenho inveja sim de quem vive simplesmente.
Escrito por maedavivica às 18h44
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