É assim mesmo, o tempo só aumenta a saudade; vai rareando a vontade de escrever à medida em que a dor se aprofunda em mim, fica mais íntima. Não é uma dor calma, tranqüila, é apenas tão constante que já faz parte do meu ser; nasceu em mim como se eu já tivesse nascido com ela. Hoje sinto muito mais a falta de minha filha; lá longe ficou aquela dor aguda de uma facada; as lágrimas apenas correm pelo meu rosto silenciosas, como cada vez mais silenciosa fica minha vida. Vou me interiorizando, me distanciando de outras realidades quanto mais me aproximo de minha filha porque, afinal de contas, somos só nós duas mesmo. Penso que um dia, seja quando for, não voltarei mais desse meu mundo interior; quantas importâncias já não existem, quantas urgências deixaram de ser. Diminui em mim, a cada dia, a disposição de vida; meu próprio eu foi diminuindo. Será preciso que eu entre definitivamente na redoma pra sentir o alívio do esquecimento externo. Quero, se ainda tiver muita vida, viver da realidade das lembranças. Porque não há um caminho a ser seguido, houve um trajeto que tem que ser vivenciado.
Escrito por maedavivica às 09h28
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