Eu procuro “não viver” o mais que posso; as pessoas não entendem, mas essa nevoa em que vivo, nem cá nem lá é benéfica; o não sentir o que eu posso não sentir, suaviza meu caminho. Não consigo me relacionar com a grande maioria das pessoas e hoje dou graças a deus por não precisar fazê-lo; eu não preciso saber das misérias do mundo, nem de muita felicidade; posso me dar ao luxo de não participar de nada; isso em si já é um descanso. Aonde vou carrego meu mundo de perda, ainda não saí da fase de não aceitar e as pessoas não estão emocionalmente preparadas para conviver assim e nem devem; a solidão é interna e não está no fato de morar sozinha. O “não viver” significa sofrer menos; deixo meu coração estagnado, respiro pouco, junto energia; tudo bem devagarinho pra não me machucar e deus sabe o quanto machuca. É minha a opção não buscar “felicidades” e se isso é sinal de doença, que importa, estou doente de amor e saudade. Sei o quanto é árido meu caminho, amargo, desflorido; tenho que buscar pequenas comodidades, confortos que eu preciso; preciso demais do silêncio externo, do descanso que não alcanço nem mesmo dormindo. Eis o cansaço de que tanto falo. Se tudo tem a mesma falta de sentido, só existe suavidade em me lembrar de minha filha; meu mundo de anjos e fadas; sou hoje só uma mulher que desconsidera o mundo, não sou mais a mesma filha, a mesma irmã ou tia, nem sou a mesma amiga; não sou mais mãe e isso era o que realmente me importava. Amar quem está presente tem significado, amar quem já não existe, sem ter o natural retorno, demanda o dobro de amor e amar demais é o próprio castigo. Se hoje conheço o peso da saudade, seu real significado, conheço também a tonelada de amor de que disponho, é com ele que vou carregando a vida, indo, indo, indo...
Escrito por maedavivica às 11h21
[]
[envie esta mensagem]
|