9 de Julho Caminhar sobre pedras fere os pés e as pernas, mas fere ainda mais o porquê de caminhar sobre pedras. Se sangra, mancha a terra, deixa marcas no caminho; são como ferroadas, picadas e espinhos. Fica aberta a ferida pra ser ainda mais ferida; dilacera tremendamente dolorida; como se autopsiada, dissecada viva. Pulsam no corpo aberto, músculos, nervos, veias; o coração bombeia água fria, murcho, extenuado, sem sangue, de tanta tristeza. Nessa dor de viver sem minha filha, sou quase sobrenatural; mais espírito que matéria; uma presença irreal, vivendo além da terra.
Escrito por maedavivica às 08h20
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Acredite é tão ruim quanto parece, pior do que se imagina; tô sofrendo de formas que eu nem sabia que existiam; a ausência plena; a saudade imensa; a solidão interna. Sofro uma dor acumulativa; o ontem não passou, nem o anteontem, nem o outro dia; não sofro mais nem menos, é ainda o mesmo sofrimento. Não há diferença alguma entre o hoje e aquele dia. Que dor pode ser maior do que aquele instante; que saudade mais comprida... perpetuou-se em mim aquele segundo; cravou na minha alma a dor mais infinita. Tô mais sofrida? Não, ainda...
Escrito por maedavivica às 08h53
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