É difícil pra quem não está nesta situação, entender. Muitas vezes olho pra minha família e sinto que não pertenço mais a ela; é como se a história estivesse acontecendo pra eles e eu só estivesse assistindo; a vida se desenrola longe de mim. Nas raras vezes em que me reúno a eles, tento manter uma conversa, quase sempre a mesma; falo da Vi, a Vi gostava, a Vi queria, a Vi fazia, então, quando percebo, fico quieta, mas é muito difícil não falar de minha filha. Doloridíssimo é dizer, naquele tempo... Lembro de ter visto, um pouco antes, um out door de lançamento do Ipod e eu fiquei pensando do que se tratava pra poder comprar pra ela; tudo eu queria pra ela. Naquele tempo ainda não tinha Ipod, muita coisa não tinha naquele tempo, 2005 ficou tão longe... Sou muito confusa quanto a uma outra existência, ao mesmo tempo em que afirmo não acreditar em nada, fico desejando essa nova vida; fico pensando no reencontro de todos nós um dia. O que tem atrás dessa porta chamada de vida? Já não tenho ânimo de pensar ou pesquisar a respeito, então espero e aguardo meu momento. Numa noite dessas sonhei com a Vi e ela estava tão próxima de mim, tão...viva...que dava pra sentir sua pele. Gritei, pulei da cama, travei minhas costas, chorei até amanhecer. A saudade é tão grande que um simples toque, um breve momento não bastam; o alarme soa cada vez que eu penso ou sinto minha filha, por isso o tempo não me cura. A morte é a separação somente do corpo, não da alma, mas é o corpo que fala, que anda, que sorri; é o corpo que nos abraça. Não tem como entender, não tem como aceitar, não passa.
Escrito por maedavivica às 08h39
[]
[envie esta mensagem]
|