Puxa vida... voltei aos papeis. Eu tinha uma ligação afetiva com o computador da Vi, depois, até por questão de espaço, eu comprei esse laptop, mas parece que não temos nada em comum. Eu sei que é uma bobagem, mas não temos afinidade nenhuma; é como se fosse algo desnecessário, uma modernidade, um luxo que eu não precisava. Ele é frio. Lembro que a Vi queria muito um e não pudemos comprar. Os papeis ficam aqui e ali em blocos de rascunho; depois de um tempo eu vou ler, não consigo nem entender o que está escrito e jogo tudo fora; sentimentos que vão para o lixo como se não importassem. Mas importam; como tudo o que sinto; são sentimentos em relação à minha filhinha e ao que hoje sou; isto mostra a intensidade do amor e do relacionamento que tivemos. Foi tão pouco tempo, meu deus; imagino como seria se ela estivesse aqui. Mais uma vez fui ao medico pra tratar da diabetes, o eletro mostrou o quanto meu coração é saudável, m.... chorei como louca, por ser tão forte enquanto minha filha foi tão fraquinha. Que destino cruel esse da minha filhinha; viver tão pouco; ainda sinto como se tivesse culpa, como me sinto culpada diante do supérfluo; procuro ter, ser e fazer só o estritamente necessário pra não me sentir culpada de viver. A sensação é horrível de estar aqui e procuro entender a razão de ter ficado, talvez com o tempo; talvez nem haja; talvez eu entenda um dia.
Escrito por maedavivica às 07h54
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