Aqui tem sido o lugar onde desabo e desabafo, ponho em palavras tudo o que sinto e torno real a dor; de tudo o que já vivi nesse tempo, ficou a certeza de que não passa; não muda, só fica mais distante. Hoje, tenho a mesma raiva e inconformidade, sinto a mesma dor, a mesma saudade, o mesmo vazio em relação à vida. São quase quatro anos... Parece que antes dessa perda eu não ligava pro tempo, eu vivia, hoje sinto cada segundo. É massacrante sentir saudade, ela mata com certeza, mas muito lentamente. Tenho a impressão de que vou viver ainda muito tempo; que a vida quer me tirar até a última lasquinha e eu vou dando a ela cada pedacinho de mim; vou deixando, deixando, deixando o que eu era. Não gosto do que sou agora, do que necessariamente me tornei; sinto-me inadequada, fria, ninguém; a minha maior identidade, a minha maior alegria era ser mãe, e agora? Tirar o que de quem pra conseguir viver. Muitas vezes tenho vontade de simplesmente me abandonar, mas o telefone toca, as contas chegam, acabou o café ou estou sem dinheiro, então, a quem recorrer, quem poderia resolver isso por mim e a que preço? Acordo pra não vida e resolvo futilidades, é isso o que eu sinto, que tudo virou futilidade; pequenas coisas que qualquer um faria. Tiro forças daquele olhar tão presente em minha vida, minha linda filhinha que sorri pra mim; tenho que viver com muitas Célias e saber que a melhor delas já não existe e que o melhor tempo já passou.
Escrito por maedavivica às 10h53
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