A morte não se encerra quando enterramos um filho, é aí que ela começa. Semana passada uma amiga precisou fazer a exumação de seu filho e transferi-lo para um ossario. O que se vê ali é muito, muito, muito pior que qualquer filme de terror; meu deus, a morte é a última humilhação desta vida. Meu coração não me deixa descrever, mas acredite, é pior do que a pior cena vista nesta terra. Perguntei a ela: você vai conseguir? Ela me disse: é meu filho, tenho que fazer isto por ele; limpou-o, guardou–o, carregou-o no colo e o enterrou novamente. Nenhuma dessas pessoas que costumam nos dizer que faz tempo, que já passou, que devemos seguir em frente, estavam lá. Ninguém chora conosco na solidão de nosso quarto; algumas dizem que somos fortes e guerreiras, pra elas eu digo que somos mães. Não é fácil morrer, a menos que você tire a própria vida e isso, mãe enlutada não faz de jeito nenhum, porque existe a esperança do reencontro, por menor que seja e nada, nem a maior dor do mundo vai nos tirar esta possibilidade. Isto significa ser forte ou amar demais o seu filho? Hoje me incomodam muito, chegam a me irritar, pessoas que não respeitam a vida; pessoas que não cuidam da saúde que têm, que brincam com ela, quando tantos queriam viver. Hoje me incomodam e me irritam pessoas pequenas; quantas já não nos disseram que isso acontece, que todo mundo morre. Será? Um filho não morre jamais, minha amiga, mas infelizmente temos que enterrá-lo e essa não é a última, mas a primeira grande dor que sentimos.
Escrito por maedavivica às 07h53
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